Historia da dor… History pain…

 

A historia da dor é tão longa quanto a humanidade, e a medicina em seus primórdios teve como foco seu estudo e seu “combate”.Porém até chegarmos aos dias de hoje, onde tanto falamos em medicina de dor e cuidados paliativos nas clinicas de dor, a humanidade passou por longos e dolorosos períodos onde a dor era considerada de caráter punitivo moral, educacional, mal que precede um bem maior, castigo, tortura e até mesmo espiritual; por isso até hoje podemos ouvir frases do tipo “dor é coisa de mulherzinha”, ou “a dor engrandece a alma”; o que interferiu tanto na ação terapêutica como na sua percepção pelo paciente, aumento ou reduzindo sua resistencia; mas ela nunca deixou de ser alvo de celebres figuras como Descartes, Hipocrates, Aristóteles, Galeno, Darwin e tantos outros pesquisadores que esboçaram séculos atrás a medicina de dor que hoje ganha força a cada dia.

Na antiguidade greco romana que surgiu a ideia de que o cerebro seria o centro das sensações e da razão, por Alcmaeon e Aristoteles. Atereu da Capadócia estudos e classificou as dores de cabeça e defende que a dor é um processo de desregulação interna.Hipócrates defendia a teoria dos quatro humores – (sangue, linfa, bílis amarela e bílis negra) que se relacionavam com os quatro elementos da natureza (terra, água, ar e fogo) e com as quatro qualidades (calor, secura, frio e humidade). Os humores davam origem a temperamentos, que resultam da relação entre os quatro humores. Os temperamentos existentes eram: sanguíneo, fleumático ou pituitoso, bilioso e melancólico. – e a eucrasia e discrasia destes. Galeno, baseado pela doutrina Hipocrática, esquematiza pela primeira vez a teoria dos quatro humores.

A Idade Média se destaca por uma hegemonia do Galenismo e a dor tinha um cunho de transmutação para algum bem maior, seja como redenção, castigo. Nesse conteudo dos feudos, etc a dor era considerada coisa de mulher.

Ja o Renascimento foi marcado pela presença de figuras como Paracelso, Ambrosie Paré e Leonardo da Vinci, que considerava os nervos como tudos e a dor era relacionada a sensibilidade tactil.  

Foi na Idade Clássica que Harvey (1628) descobriu a circulação sanguínea, esmagando definitivamente as teorias de Galeno. Descartes defende que a máquina torna-se modelo de inteligibilidade do ser humano em relação ao mecanismo de sensação dolorosa. O controle da dor ainda está em segundo plano, porém já surge a ideia do “dever” de aliviar a dor.

Na segunda metade do Iluminismo houve a separação da ciência e da metafísica, o processo de laicismo da dor. Começam a se mostrar os diferentes tipo de dor. Presença da medicina expectante e da medicina atuante. Surge a avaliação entre a qualidade de vida e o sofrimento imposto. Presença de 03 filosifias médicas: mecanicistas, vitalistas e animistas.

O século XIX foi o século das grandes descobertas. Dominado pela teoria de especificidade da dor de Johannes Muller a Von Frey. A dor não teria mais utilidade na cura e aperecia um esboço precario de atenuaçao da dor. Hoeve o inicio da anestesia. O isolamento da morfina, acido salicico e o uso do eter pre cirurgico e do cloroformio.

Originam-se duas teorias sobre a dor: da especificidade (iniciada por Galeno e concluida por Schiff) e da intensidade (iniciada por Aristoteles e finalizada por Erb e Goldsheider.

Mas foi somente em meados do século XX que o combate a dor voltou a ser o foco principal da medicina. Aqui separa-se bem os tipos de dor: aguda e crônica graças principalmente a  Rene Lériche e John Bonica. Em 1974 é fundado o IASP e em 1975 é publicada a sua primeira edição. Nesse momento a dor não tem qualquer virtude.

Etimologicamente “pain” em inglês deriva de  “poena” do latim, que significa “castigo” e “paciente” vem do latim “patior”, aquele que suporta ou aguenta a dor e o sofrimento. 

Dor pode ser definida como:

“Uma percepção central de múltiplas modalidades sensitivas primárias. Esta função interpretativa é complexa envolvendo fatores psicológicos, neuroanatômicos, neuroquímicos, e neurofisiológicos do estímulo da dor, assim como da memória para experiências dolorosas passadas.”

Porém a definição de dor mais aceita na atualidade é oferecida pelo IASP:

“Dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável associada com dano tecidual, real ou potencial, ou descrita em termos desse dano.”

Aqui acrescento alguns aspectos:

Pode ser incapacitante ou simplesmente incomodativa, restritiva.

É cultura dependente.

É sempre uma experiência única, subjetiva, individual, podendo acarretar sofrimento físico e emocional, comprometendo a funcionalidade do indivíduo e de sua família. (Luciana Altemburg).

Observe que:

1) Se é sensorial é influenciável pelos sentidos: visão, audição, tato, paladar e olfato. Já falamos aqui bem recente de um artigo sobre o poder das palavras em estimular áreas encefálicas de dor.

2) Se é emocional é dependente de fatores biopsicossociais; Ambrosié Paré (1509 – 1590) já ressaltava a necessidade da “virtude” do paciente para suportar a dor o que influenciaria também a cura da doença.

3) Dano tecidual real ou potencial: lesão propriamente dita ou possibilidade de tal devido a existência de matrizes nesse caminho.

 Então como nós pobres fisioterapeutas podemos entrar nesse combate?

Três coisas são certas:

1) Não podemos enfrentar sozinhos, precisamos estar dentro de uma equipe multiprofissional aliada a família em prol do paciente.

 2) Não venceremos sempre.

3) Desistir jamais.

E quais as ferramentas que dispomos?

1) Nossos ouvidos: Devemos aprender a ouvir o que nos dizem e não ouvir aquilo que queremos;

 2) Nossos olhos: Através deles observamos o paciente:

3) Nossas mãos;

4) Nosso conhecimento sobre as bases do processo anatômico e fisiopatológico que o paciente descreve;

5) Nossa experiência que muito nos ajudará na escolha da melhor conduta

6) Nossa habilidade técnica: O dominio pratico da técnica nos auxiliara como bussola nos direcionando a melhor conduta associados ao nosso bom senso e “humildade”.

 7) E o principal: amor, a profissão e ao próximo,o  que nos provem de humildade, paciência e dedicação  e que não nos deixará desistir de levar conforto, alivio e mais qualidade de vida possível ao paciente.

Paracelso (1490 – 1560) já defendia o uso de eletroterapia, massagens e exercício.

Aqui são algumas das técnicas que dispomos atualmente:

 1) Eletroterapia: TENS,

2) Termoterapia;

 3) Acupuntura;

4) Maitland,

5) Mulligan,

6) Mobilização Neural,

7) PRT,

8 ) Quiropraxia,

9) Osteopatia,

10) Dermoneuromodulação;

11) Bandagens funcionais;

12) Rolfing.

13) Hidroterapia,

14) RPG,

15) Exercícios específicos (alongamento, fortalecimento, estabilização, relaxamento) e exercícios aeróbicos.

16) Hipnose.

 Isso é uma pequena amostra do arsenal que temos a nossa disposição para o alivio da dor dos nossos pacientes e só com nossa vivência, prática, conhecimento e bom senso que estamos aptos a fazer a escolha da técnica mais indicada.

Carpe Diem.

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