As palavras doem…

Quem nunca ouviu algo em que pensou: “Nossa isso doeu!” Bem, eu confesso que ontem ouvi algo que pensei exatamente isso.  Ainda me passou outra coisa pela cabeça, que foi tipo o que eu te fiz pra ouvir isso? Ficaram curiosos né?! Risos… Isso é um papo longo e dolorido, mas o fato é que a situação de ontem muito me encorajou a este post, pois já havia separado um artigo fresquinho divulgado via IASP, cujo titulo é : ” Do words hurt? Brain activation during the processing of pain-related words. Maria Richter, Judith Eck, Thomas Straube, Wolfgang H.R. Miltner, Thomas Weiss.  Alemanha.

Eles investigaram os mecanismos neurais subjacentes ao tratamento da dor relacionada a palavras negativas, positivas e neutras. E concluíram que a ativação das palavras relacionadas a dor são fortemente moduladas pela demanda de atenção a tarefa sugerida.

As diferenças no processamento de palavras “dolorosas” e de palavras “não dolorosas” são especificas da relevância da dor e não podem ser explicadas simplesmente por sua valencia ou excitação.

Esse estudo evidenciou que o processamento de palavras relacionadas à dor leva a ativações de áreas da matriz de dor.

Mostrou também que o processamento de estímulos verbais relacionados à dor não refletem apenas uma resposta não específica induzida pela qualidade afetiva do estímulo, mas inclui a especificidade da relevância da dor.

Mostrou também que as regiões ativadas por palavras dolorosas diferem de acordo com o foco de atenção induzida pelas tarefas.

Durante a tarefa imaginaria a especificidade de palavras dolorosas se reflete em uma ativação do sistema nervoso central de regiões associadas com a dimensão cognitiva da dor como córtex dorsolateral pré frontal e o giro parietal inferior.

Com relação à tarefa de distração sugerem que a ativação cíngulo ventral anterior subungueal e a desativação cíngulo dorsal anterior estão associadas com a concorrência natural das informações semânticas de dor durante a solução de uma tarefa em primeiro plano.

A percepção da dor relacionada a palavras muda o processamento nervoso central associado à dimensão cognitiva de dor.

Afirmam que em uma visão mais abrangente, estas mudanças
podem alterar o tratamento das sensações de dor aguda e crônica
através de aprendizagem associativa como a base para efeitos de priming verbal dentro da dor associada à rede neural. Neste contexto, a
investigação do tratamento da dor relacionada com palavras em quem sofre de dor crônica pode ser de grande interesse.

Os efeitos potenciais de priming desses descritores verbais, modificando a região cognitiva da matriz de dor deve ser levada em conta com indivíduos saudáveis e com dor crônica.

Pergunta: Quem nunca percebeu que durante a realização de um exercício, enquanto a atenção do paciente não está totalmente focada no exercício (por exemplo durante uma conversa ou se ele observa a televisão durante o exercício) ele não refere dor e aí basta a focar a atençao no exercício dizendo as palavrinhas cuidado para não doer, ou preste atenção pra não sentir dor ou a simples pergunta está doendo e como num passe de mágica a dor volta a atormentar? Quem nunca viveu algo parecido?

Então vamos pensar um pouquinho mais no que falamos, isso pode fazer toda a diferença para quem ouve. O que até me faz lembrar de um dito popular que é o seguinte: ” A verdade não está na boca de quem fala e sim nos ouvidos de quem ouve.” Cada um tem suas próprias matrizes, não é verdade.

Carpe Diem!

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